Guia prático · atualizado para 2026

NR-1 e os riscos psicossociais no trabalho

Um manual orientativo para RH, DP, gestores, SESMT e consultorias se prepararem para a fiscalização da saúde mental nas empresas.

Fiscalização: 26/05/2026 GRO · PGR · FRPRT Conteúdo educativo

00 Leia antes de tudo

Aviso importante sobre uso e atualização

Este material tem caráter educativo e orientativo. Ele organiza, em linguagem acessível, o que se sabe publicamente sobre a atualização da NR-1 e a gestão de riscos psicossociais. Ele não substitui a leitura do texto oficial da norma nem a orientação de profissionais habilitados.

Não é aconselhamento jurídico, médico ou de engenharia

As decisões de conformidade da sua empresa devem ser validadas por profissionais responsáveis — advogado(a) trabalhista, médico(a) do trabalho, engenheiro(a) de segurança e, quando envolver saúde mental, psicólogo(a). Use este guia como ponto de partida, não como palavra final.

Tema em mudança — verifique sempre a fonte oficial

O cronograma da NR-1 já foi adiado uma vez e é objeto de pressão por novos adiamentos. Acredito que o prazo de fiscalização punitiva esteja confirmado para 26 de maio de 2026, mas você deve verificar isso diretamente no portal do Ministério do Trabalho e Emprego (gov.br) antes de tomar qualquer decisão.

Sobre números e citações

Onde cito estatísticas (afastamentos, percentuais), atribuo a fonte e recomendo conferência nos dados oficiais — não os trate como exatos sem verificar. Não reproduzo valores de multa, porque dependem da NR-28 e podem estar desatualizados na minha base; consulte o texto vigente.

01 Fundamentos

O que é a NR-1 e o que de fato mudou

A NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) é a norma "guarda-chuva" de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil. Ela define disposições gerais, direitos e deveres de empregadores e trabalhadores e fundamenta as demais NRs. É nela que vive o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), do qual faz parte o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

A mudança central

A atualização promovida pela Portaria MTE nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, alterou o capítulo 1.5 da NR-1 para incluir, de forma expressa, os Fatores de Risco Psicossocial Relacionados ao Trabalho (FRPRT) no rol de riscos que precisam ser identificados, avaliados, controlados e monitorados — no mesmo ciclo dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.

Em uma frase

A saúde mental deixou de ser "pauta de RH" ou ação pontual de Setembro Amarelo e passou a ser item formal de conformidade legal, exigível dentro do PGR de qualquer empresa com empregados regidos pela CLT.

Por que isso aconteceu

Segundo fontes do setor que citam dados do Ministério da Previdência Social, os afastamentos por transtornos mentais teriam crescido de forma expressiva nos últimos anos (uma reportagem menciona alta em torno de 67% entre 2023 e 2024, e mais de 440 mil afastamentos só em 2024). A Fundacentro teria apontado um crescimento de cerca de 104% em benefícios por transtornos mentais entre 2019 e 2024. Acredito que esses números reflitam a ordem de grandeza correta, mas você deve verificá-los nas publicações oficiais (Ministério da Previdência / Fundacentro) antes de usá-los em um documento formal ou apresentação.

A quem se aplica

A obrigação alcança todos os empregadores com empregados regidos pela CLT, sem exceção por porte ou número de funcionários. O que muda conforme o tamanho da empresa é a complexidade do diagnóstico e das medidas — que devem ser proporcionais à realidade e aos riscos identificados, não a inexistência da obrigação.

02 Cronologia

Linha do tempo da norma

Entender as datas evita dois erros opostos: achar que "ainda não vale" e achar que "já era". Veja a sequência (sempre confirme no MTE, pois pode haver ajustes):

2022

NR-5 e o assédio

A NR-5 passou a atribuir à CIPA medidas de prevenção e combate ao assédio — um dos primeiros sinais de que a dimensão psicossocial entraria formalmente nas NRs.

Ago/2024

Portaria MTE nº 1.419/2024

Altera o capítulo 1.5 da NR-1 e inclui expressamente os FRPRT no GRO/PGR. É o marco normativo da mudança.

2024

Guia de Informações do MTE

O MTE publica o "Guia de Informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho", definindo os FRPRT e orientando empresas. Também há o Manual do GRO/PGR.

26/05/2025

Início do período educativo

Portaria MTE nº 765/2025 fixa de maio/2025 a maio/2026 uma fase orientativa: auditores orientam, sem autuar com base específica nas novas exigências.

Mar/2026

CTPP mantém o prazo

A Comissão Tripartite Paritária Permanente reafirma que não haverá novo adiamento — decisão com apoio de Governo, Trabalhadores e MPT.

26/05/2026

Fiscalização punitiva

Encerra-se a transição. A partir daqui há possibilidade de autuações, multas e demais sanções por descumprimento. Confirme a data no MTE.

Atenção ao MPT

O Ministério Público do Trabalho não está vinculado a esse cronograma. Ele já considera fatores psicossociais em inquéritos e ações civis públicas com base na Constituição, na CLT e nas normas vigentes — sobretudo em setores de alta incidência de adoecimento (teleatendimento, saúde, bancos, TI). O risco, portanto, já existe antes de maio de 2026.

03 Vocabulário essencial

Conceitos-chave (GRO, PGR, FRPRT)

GRO — Gerenciamento de Riscos Ocupacionais
O processo contínuo de gestão para proteger saúde e segurança: identificar perigos, avaliar riscos, definir e implementar medidas, monitorar.
PGR — Programa de Gerenciamento de Riscos
O documento/instrumento obrigatório que materializa o GRO. Reúne o inventário de riscos e o plano de ação. É aqui que os riscos psicossociais precisam aparecer.
FRPRT — Fatores de Risco Psicossocial Relacionados ao Trabalho
Condições ligadas à organização, à condução e à percepção do trabalho com potencial de causar dano à saúde mental, física e social. Definição intencionalmente ampla.
Inventário de Riscos
A parte do PGR que lista perigos e riscos por área/função, com avaliação de probabilidade e severidade.
AEP / AET
Avaliação Ergonômica Preliminar e Análise Ergonômica do Trabalho. Fatores psicossociais e ergonômicos frequentemente se sobrepõem (ex.: pressão por metas), então a análise costuma começar pela AEP.

O que conta como risco psicossocial

São fatores do trabalho — não da vida pessoal do colaborador. Exemplos frequentemente citados:

  • Carga e ritmo: sobrecarga, prazos incompatíveis com recursos, jornada excessiva, falta de pausas.
  • Metas e cobrança: metas inalcançáveis, pressão constante, indicadores punitivos.
  • Relações e liderança: assédio moral e sexual, conflitos recorrentes, lideranças despreparadas, falta de suporte.
  • Autonomia e reconhecimento: ausência de autonomia, falta de clareza de papéis, ausência de reconhecimento.
  • Contexto: insegurança no emprego, isolamento (incl. teletrabalho), violência no trabalho.
Distinção crítica

Avaliação de risco psicossocial não é diagnóstico clínico. Você avalia condições do trabalho com potencial de dano — não a saúde mental individual de cada empregado. Confundir os dois é um dos erros mais graves (e mais comuns).

04 Manual de primeiros passos

Como começar — passo a passo

Um roteiro pragmático para quem está partindo do zero. Adapte a profundidade ao porte da empresa.

Passo 1 — Forme o time e defina responsáveis

Envolva SESMT (quando houver), RH/DP, lideranças e CIPA. Onde necessário, traga apoio de psicólogo(a) e de quem responde tecnicamente pelo PGR. Defina um responsável pela condução.

Passo 2 — Levante o que já existe

Reúna o PGR atual, dados de absenteísmo, afastamentos por CID do grupo F (transtornos mentais), rotatividade, registros de assédio e canais de denúncia. Esses dados secundários são ouro para o diagnóstico.

Passo 3 — Mapeie áreas e funções críticas

Liste setores e cargos com maior exposição (atendimento, metas agressivas, turnos, contato com público, alta rotatividade).

Passo 4 — Escolha o método de identificação

A NR-1 não obriga uma ferramenta específica. Combine escuta dos trabalhadores (questionário validado, entrevistas ou grupos focais), análise da organização do trabalho e avaliação técnica. Veja a seção 05.

Passo 5 — Avalie e priorize (matriz de risco)

Aplique probabilidade × severidade para classificar cada fator e priorizar o que tratar primeiro.

Passo 6 — Registre no PGR e monte o plano de ação

Inclua os FRPRT no inventário e crie um plano de ação real (5W2H, seção 08), com prazos e responsáveis.

Passo 7 — Implemente, comunique e monitore

Execute as medidas, capacite lideranças, comunique aos trabalhadores e revise periodicamente (trimestral é uma cadência comum). Documente tudo — a evidência é o que o fiscal quer ver.

O fiscal não quer ver palestra — quer ver gestão

Uma reportagem do setor resume bem: o auditor não pergunta se você fez ação no Setembro Amarelo; ele quer ver o plano de ação documentado para os riscos mapeados no inventário. Documento genérico, sem diagnóstico real, pode até evitar autuação imediata, mas não protege a empresa.

05 Avaliação psicossocial

Como avaliar os riscos psicossociais

O princípio oficial: use a mesma metodologia dos demais riscos ocupacionais (identificar → avaliar → controlar → monitorar). O foco da fiscalização é a consistência técnica do processo, não a marca da ferramenta.

Instrumentos com respaldo técnico no Brasil

InstrumentoO que éQuando usar
COPSOQ IIIQuestionário psicossocial de Copenhague, validado internacionalmente, com versão em português.Diagnóstico quantitativo estruturado em organizações de médio/grande porte.
ISTAS-21Instrumento de origem espanhola amplamente aceito, adaptado ao Brasil.Alternativa quantitativa validada.
Grupos focais + entrevistasEscuta qualitativa estruturada.Complemento ou método principal em empresas menores.
Dados secundáriosAbsenteísmo, afastamentos por CID F, rotatividade, denúncias.Sempre — sustenta o diagnóstico com evidência objetiva.
Metodologia gratuita do SESI

O SESI divulgou uma metodologia gratuita que combina três perspectivas: escuta dos trabalhadores por instrumentos estruturados, análise da organização do trabalho e avaliação técnica de especialistas em SST. Pode ser um bom ponto de partida — confirme disponibilidade e versão atual junto ao SESI da sua região.

Fluxo de avaliação

  1. Identificar: liste cargos e áreas; conduza escuta (questionário/entrevistas/grupos focais) e analise dados secundários.
  2. Avaliar: aplique a matriz probabilidade × severidade para cada fator identificado.
  3. Controlar: defina medidas organizacionais (revisão de metas, pausas, comunicação, capacitação de líderes, canais de escuta).
  4. Monitorar: acompanhe indicadores objetivos e revise o PGR periodicamente.

Modelo simples de matriz de priorização

Severidade ↓ / Probabilidade →BaixaMédiaAlta
AltaMédioAltoCrítico
MédiaBaixoMédioAlto
BaixaTrivialBaixoMédio

Trate primeiro o que cai em "Crítico" e "Alto". Adapte a escala à sua realidade — o importante é o critério ser explícito e rastreável.

06 Cultura

Saúde mental nas empresas — além da norma

Conformidade é o piso. A oportunidade real está em transformar a exigência em gestão que reduz afastamentos, melhora retenção e protege a reputação.

Frentes de atuação

  • Organização do trabalho: revisar metas, distribuição de carga, prazos e pausas. É aqui que a maior parte do risco nasce — e onde a empresa tem mais controle.
  • Lideranças: capacitar gestores para reconhecer sinais de sobrecarga e conduzir equipes sem práticas que adoeçam.
  • Canais de escuta e denúncia: idealmente com opção anônima, com fluxo claro de tratamento.
  • Apoio psicológico: programas de apoio (ex.: PAE/EAP) e parcerias com profissionais.
  • Comunicação: transparência sobre as ações e seus resultados.
Lei nº 14.831/2024

A Lei nº 14.831, de 27 de março de 2024, instituiu o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental. Para empresas que adotam práticas efetivas, pode funcionar como diferencial e como prova de diligência. Verifique os requisitos atuais e o procedimento de obtenção em canais oficiais.

Cuidado com a saúde de quem lê isto

Se você ou alguém da equipe estiver enfrentando sofrimento psíquico, gestão de risco no papel não substitui cuidado real. No Brasil, o CVV oferece apoio emocional pelo telefone 188 (24h, gratuito) e em cvv.org.br. Em emergências, procure o serviço de saúde mais próximo.

07 Conformidade

Checklist de conformidade

Marque os itens conforme avança. (As marcações valem só durante esta sessão — não são salvas.) Use como autodiagnóstico, não como garantia de conformidade.

Diagnóstico

  • Dados de absenteísmo, afastamentos (CID F), rotatividade e denúncias foram reunidos e analisados
  • Áreas e funções críticas foram mapeadas
  • Houve escuta dos trabalhadores (questionário validado, entrevistas ou grupos focais)
  • Método de avaliação está documentado e é rastreável

Documentação (PGR)

  • Os FRPRT estão incluídos no inventário de riscos do PGR
  • Cada fator tem avaliação de probabilidade × severidade
  • Existe plano de ação com medidas, prazos e responsáveis (5W2H)
  • O PGR reflete a realidade da empresa (não é genérico/copiado)

Implementação e cultura

  • Lideranças foram capacitadas sobre riscos psicossociais
  • Há canal de escuta/denúncia com fluxo de tratamento definido
  • Trabalhadores e CIPA foram envolvidos/comunicados
  • Medidas de controle foram efetivamente implementadas

Monitoramento

  • Indicadores objetivos são acompanhados periodicamente
  • Há cadência definida de revisão do PGR
  • Evidências (atas, relatórios, registros) estão arquivadas
  • Acidentes e adoecimentos são investigados (análise de causas)

08 Execução

Plano de ação — modelo 5W2H

O 5W2H é a metodologia mais citada para o plano de ação psicossocial. Cada medida responde a sete perguntas. Modelo para você copiar e adaptar:

5W2HPerguntaExemplo preenchido
WhatO quê?Revisar metas comerciais consideradas inalcançáveis pela equipe X
WhyPor quê?Fator "metas inalcançáveis" classificado como risco Alto no inventário
WhereOnde?Setor comercial — filiais A e B
WhenQuando?Início imediato; conclusão em 60 dias; revisão trimestral
WhoQuem?Gerência comercial + RH; validação do SESMT
HowComo?Recalibrar metas com base em histórico; reunião de alinhamento; nova política de comissionamento
How muchQuanto custa?Custo de horas de gestão; eventual ajuste no plano de remuneração
PLANO DE AÇÃO — RISCOS PSICOSSOCIAIS (5W2H) Empresa: ____________________ Unidade: ____________ Data: __/__/____ Responsável pelo plano: ____________________________ Nº | Risco/Fator | Classif. | Ação (What) | Responsável (Who) | Prazo (When) | Status 01 | __________ | _______ | __________ | ______________ | __________ | ______ 02 | __________ | _______ | __________ | ______________ | __________ | ______ 03 | __________ | _______ | __________ | ______________ | __________ | ______ Revisão prevista: __/__/____ Indicadores monitorados: _______________ Assinatura responsável técnico: ____________________________

09 Documentação

Modelo de relatório de avaliação

Estrutura sugerida para o relatório que consolida a avaliação psicossocial e alimenta o PGR. Adapte às exigências da sua consultoria/SESMT.

RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO DE FATORES DE RISCO PSICOSSOCIAL (FRPRT) 1. IDENTIFICAÇÃO Empresa / CNPJ / unidade / período de avaliação / responsável técnico 2. OBJETIVO E ESCOPO Atender ao item 1.5 da NR-1 quanto aos FRPRT; áreas e funções avaliadas 3. METODOLOGIA Instrumentos usados (ex.: COPSOQ III, entrevistas, grupos focais) Fontes de dados secundários (absenteísmo, CID F, rotatividade) Critérios da matriz probabilidade × severidade 4. PARTICIPAÇÃO Nº de respondentes / cobertura / forma de garantir confidencialidade 5. RESULTADOS Fatores identificados por área, com classificação de risco Tabela-resumo e principais achados 6. RECOMENDAÇÕES / MEDIDAS DE CONTROLE Medidas organizacionais propostas, vinculadas a cada fator 7. PLANO DE AÇÃO (5W2H) Referência ao plano anexo 8. MONITORAMENTO Indicadores e cadência de revisão 9. CONCLUSÃO E ASSINATURAS Responsável técnico, data, anexos
Confidencialidade

Relatórios psicossociais podem expor dados sensíveis. Apresente resultados de forma agregada, proteja a identidade dos respondentes e observe a LGPD no tratamento das informações.

10 Modelos de documentos

Modelos de documentos de apoio

Use com validação profissional

Os modelos abaixo são esqueletos genéricos para acelerar seu trabalho. Não são peças jurídicas prontas. Antes de adotar, submeta a um(a) advogado(a) trabalhista e ajuste à realidade e às políticas da empresa.

Política de prevenção de riscos psicossociais (estrutura)

POLÍTICA DE PREVENÇÃO DE RISCOS PSICOSSOCIAIS 1. Propósito e abrangência 2. Princípios (respeito, não retaliação, confidencialidade) 3. Definições (FRPRT, assédio, sobrecarga) 4. Responsabilidades (direção, lideranças, RH, CIPA, trabalhadores) 5. Identificação e avaliação de riscos (referência ao PGR) 6. Medidas de prevenção e controle 7. Canais de escuta e denúncia + fluxo de tratamento 8. Apoio ao trabalhador 9. Monitoramento e revisão 10. Vigência e aprovação

Comunicado interno aos trabalhadores

COMUNICADO — CUIDADO COM A SAÚDE MENTAL NO TRABALHO A [Empresa] está implementando medidas de identificação e prevenção de fatores de risco psicossociais, em conformidade com a NR-1. Vamos ouvir você por meio de [questionário/entrevistas], de forma confidencial. Sua participação ajuda a tornar o ambiente mais saudável. Canal de escuta: __________ Dúvidas: __________ Data: __/__/____ Assinatura: Direção / RH

Termo de confidencialidade da avaliação

TERMO DE CONFIDENCIALIDADE Os responsáveis pela avaliação de FRPRT comprometem-se a tratar os dados coletados de forma confidencial e agregada, sem identificação individual, observando a LGPD (Lei nº 13.709/2018), utilizando-os exclusivamente para fins de gestão de riscos ocupacionais. Responsável: ____________ Data: __/__/____ Assinatura: __________
Sobre multas e sanções

Não reproduzo valores de multa porque dependem da NR-28 (que gradua as penalidades) e podem ter mudado. Para saber o enquadramento e os valores vigentes, consulte a NR-28 atualizada e a orientação de um(a) advogado(a). Além da multa administrativa, há risco de ações trabalhistas (a ausência de gestão facilita a comprovação de culpa em casos de adoecimento) e de impacto no FAP.

11 Comunicação

Roteiro de palestra (≈ 45 min)

Roteiro modular para sensibilizar lideranças ou equipes. Ajuste a profundidade conforme o público.

BlocoTempoConteúdo
1. Abertura5 minPor que falar disso agora: a NR-1 mudou e a fiscalização é real. Pergunta de engajamento ao público.
2. O que mudou8 minNR-1, GRO, PGR e a inclusão dos FRPRT. A saúde mental virou item de conformidade.
3. O que é risco psicossocial8 minExemplos concretos (sobrecarga, metas, assédio, liderança). Distinção: risco do trabalho ≠ diagnóstico clínico.
4. Papel de cada um10 minO que líderes, RH, CIPA e trabalhadores podem fazer. Casos práticos.
5. O que a empresa está fazendo8 minDiagnóstico, plano de ação, canais de escuta. Transparência gera confiança.
6. Fechamento6 minMensagem-chave, próximos passos, canais de apoio (incl. CVV 188). Espaço para perguntas.
Dica de condução

Evite transformar a palestra em "evento de cumprimento de norma". Conecte com a experiência real das pessoas — sobrecarga, prazos, reconhecimento. E não prometa o que a empresa não vai entregar: expectativa frustrada vira risco psicossocial.

12 Referência rápida

Frases técnicas e glossário

Frases técnicas para documentos e comunicação

Formulações prontas para relatórios, políticas e e-mails — sempre confira a aderência ao seu caso:

"A presente avaliação atende ao disposto no item 1.5 da NR-1 quanto aos Fatores de Risco Psicossocial Relacionados ao Trabalho (FRPRT)."
"Os FRPRT foram incorporados ao inventário de riscos do PGR, seguindo o mesmo ciclo de gestão dos demais riscos ocupacionais."
"A classificação de risco baseou-se na combinação de probabilidade e severidade, com critérios documentados e rastreáveis."
"As medidas de controle priorizam a intervenção na organização do trabalho, fonte primária dos fatores identificados."
"O monitoramento será contínuo, com revisão periódica do PGR e acompanhamento de indicadores objetivos."
"Os dados foram tratados de forma agregada e confidencial, em observância à LGPD."

Glossário

CLT
Consolidação das Leis do Trabalho.
SST
Segurança e Saúde no Trabalho.
SESMT
Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho.
CIPA
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (e de assédio).
CID F
Capítulo da Classificação Internacional de Doenças referente a transtornos mentais e comportamentais.
FAP
Fator Acidentário de Prevenção — índice que afeta o custo previdenciário conforme a sinistralidade.
MTE / MPT
Ministério do Trabalho e Emprego / Ministério Público do Trabalho.
CTPP
Comissão Tripartite Paritária Permanente (governo, trabalhadores, empregadores).
Burnout
Síndrome de esgotamento profissional, reconhecida como fenômeno ocupacional.

13 Armadilhas

Erros comuns a evitar

  • PGR genérico: incluir os FRPRT "no papel", sem diagnóstico real. Pode evitar autuação imediata, mas não protege em ação trabalhista.
  • Confundir com diagnóstico clínico: avaliar a saúde mental individual em vez das condições do trabalho.
  • Achar que palestra resolve: ações de conscientização não substituem inventário, plano de ação e monitoramento.
  • Profissional sem qualificação: delegar a avaliação a quem não tem competência técnica.
  • Ignorar o MPT: esperar maio de 2026 quando o MPT já pode agir.
  • Esquecer a confidencialidade/LGPD: expor respondentes ou tratar dados sensíveis sem cuidado.
  • Não documentar: fazer e não registrar. Sem evidência, é como se não tivesse feito.

14 Para se aprofundar

Fontes oficiais e como se manter atualizado

Para conformidade, baseie-se sempre em fontes oficiais e na versão vigente da norma. Sugiro acompanhar:

  • Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) — texto vigente da NR-1, Guia de Informações sobre FRPRT e Manual do GRO/PGR: gov.br/trabalho-e-emprego.
  • Fundacentro — materiais técnicos e dados de SST.
  • SESI — metodologia de avaliação psicossocial (gratuita).
  • Normas citadas: Portaria MTE nº 1.419/2024, Portaria MTE nº 765/2025, NR-28 (penalidades), Lei nº 14.831/2024, LGPD (Lei nº 13.709/2018).
Lembrete final de transparência

Reuni e organizei estas informações a partir de fontes públicas até meados de 2026. Datas, prazos e exigências podem mudar. Antes de qualquer decisão de conformidade, confirme no portal do MTE e valide com profissionais habilitados. Onde houver divergência entre este guia e a norma oficial, a norma sempre prevalece.