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Treinamento corporativo

Levantamento de necessidades de treinamento: como fazer o LNT sem virar lista de desejos

Como fazer um LNT que parte de indicador de negócio e não de pedido de área, com as quatro fontes de evidência e o erro mais comum.

Foto de Vagner SoaresPor Vagner SoaresPublicado em , atualizado em . Leitura de 3 min.
Capa com o título “Isso não é diagnóstico”: mão com caneta dourada risca itens de um checklist de competências em papel

A maioria dos levantamentos de necessidade começa com um e-mail perguntando às lideranças quais treinamentos elas gostariam de ter no ano. O resultado é previsível: uma lista de desejos, misturando tema da moda com curso que alguém viu no LinkedIn.

Isso não é diagnóstico. É catálogo.

Neste artigo
  1. A direção certa é o contrário
  2. As quatro fontes de evidência
  3. A pergunta que corta metade da lista
  4. Por que vale fazer isso direito agora
  5. O que sai no fim

A direção certa é o contrário

Um LNT útil não parte do que se quer aprender. Parte de um problema de negócio e caminha para trás até encontrar a competência que o explica.

Problema observadoHipótese de competência
Turnover alto em uma área e baixo nas outrasLiderança daquela área, conversa de desenvolvimento
Retrabalho concentrado em uma etapaClareza de combinado, delegação, feedback
Projetos que atrasam sempre na integraçãoComunicação entre áreas, gestão de conflito
Reclamação de cliente sobre atendimentoEscuta, regulação emocional sob pressão

Repare que cada linha da esquerda é um número que a empresa já acompanha. Isso não é coincidência: é o que torna possível medir depois.

As quatro fontes de evidência

Um LNT defensável cruza pelo menos três destas quatro. A quarta é a que quase ninguém tem.

1. Indicadores de negócio. Os números que já existem, comparados entre áreas e ao longo do tempo. É a fonte mais forte porque não depende de percepção.

2. Dados de gente. Turnover por gestor, absenteísmo, resultado de clima, motivo declarado em entrevista de desligamento. Esta última é subutilizada e costuma ser a mais reveladora.

3. Escuta estruturada. Conversa com gestores e com a equipe, mas com roteiro e sobre situações concretas, não sobre temas. "Me conte a última vez que um combinado se perdeu" rende mais que "do que a equipe precisa".

4. Diagnóstico comportamental aplicado. Instrumento aplicado na equipe, que mostra a distribuição de perfis e onde estão as lacunas. É a única fonte que serve ao mesmo tempo como levantamento e como linha de base para medir depois, e é justamente a que falta na maioria dos processos.

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Teste DISC, gratuitoO diagnóstico comportamental aplicado é a quarta fonte do LNT e a única que também serve de linha de base para medir depois. A avaliação DISC é gratuita e mostra a distribuição de perfis da sua equipe.

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A pergunta que corta metade da lista

Para cada necessidade levantada, uma pergunta: isso é falta de competência, ou é outra coisa?

Problema causado por processo mal desenhado, ferramenta inadequada, meta incoerente ou equipe subdimensionada não melhora com treinamento. Treinar gente para compensar um processo quebrado é caro, frustra a equipe e desmoraliza a área de T&D quando o indicador não se move.

Cortar esses casos do levantamento não reduz a importância do seu trabalho. Aumenta, porque mostra que você distingue uma coisa da outra.

Por que vale fazer isso direito agora

Segundo artigo da GV-executivo, revista da FGV, 67% das empresas afirmam ter dificuldade ou muita dificuldade em encontrar candidatos capacitados no mercado. Isso empurra a solução para dentro: se não dá para contratar pronto, tem que desenvolver.

Um LNT bem feito é o que separa desenvolver com direção de comprar curso com esperança.

O que sai no fim

Se a conclusão do levantamento for que vale investir, o passo seguinte é dimensionar o orçamento com a calculadora de orçamento e decidir o formato.

Um LNT pronto entrega, para cada prioridade: o problema de negócio, o indicador que o mede, a competência que se pretende mover, o público, a hipótese escrita de mudança e a data de reavaliação.

Se o seu levantamento termina numa lista de temas sem essas seis colunas, ele ainda não terminou.

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Vagner Soares
Vagner Soares

Palestrante, mentor e consultor em desenvolvimento humano, comunicação e liderança. Já levou palestras e treinamentos a instituições como SENAI Paraná, UNINTER, Caixa Econômica Federal e AEAC.

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